Por que as 24 Horas de Le Mans são especiais
No automobilismo existe uma coisa nunca oficializada, mas que todo mundo encara como uma realidade, chamada de tríplice coroa. Consiste em vencer o grande prêmio de Mônaco, as 500 Milhas de Indianapolis, e as 24 Horas de Le Mans. Até hoje, só uma pessoa (Graham Hill) conseguiu esse feito. Certamente muito da dificuldade dessa conquista se deve ao fato de que cada prova é parte do calendário de uma categoria diferente (respectivamente: Formula 1, IndyCar e WEC). Mas por que estou falando disso? Bom, é pra deixar claro que essas são as corridas mais prestigiadas do calendário internacional de automobilismo. Mas enquanto Monaco e Indianapolis são apenas provas regulares com um pouco mais de pompa, Le Mans é um bicho completamente diferente e mágico. É uma daquelas coisas que caem na categoria "quem sabe, sabe". Não se trata de uma simples corrida. Le Mans é uma epopéia. Em 2025 serão 62 carros e 186 pilotos, divididos em 3 categorias: GT3 (carros de rua [muito] preparados), LMP2 (protótipos de corrida) e a Hypercar, a classe principal e a mais avançada e veloz. As 24 horas de corrida acontecem num charmoso circuito na zona rural da França, um gigante com mais de 13,6 Km de extensão que mistura trechos de circuito permanente e estradas.
Há algo mágico em observar a passagem do tempo, o sol se pôr, o crepúsculo e o cair da noite, talvez uma chuva, a solidão do cockpit e o autódromo quase completamente vazio às 3 horas da manhã, a floresta iluminada pelos faróis rasgando as intermináveis retas a mais de 300 Km/h. É brutal. É perigoso. É exaustivo. Cada volta é um tic, cada parada nos boxes é um tac. O tempo é um senhor implacável.
Um clarão surge no horizonte. O nascer de um novo dia. O planeta inteiro girou, e a luz revela o que a noite ocultava: carros escangalhados, repletos de marcas de batalha e de insetos que deram o azar de estar em seu caminho. Dizem que Le Mans escolhe o vencedor, e ela é uma dama cheia de caprichos. Em 2016, por exemplo, a Toyota liderava a prova com folga. Seria a primeira vitória da empresa na corrida. Seu carro suportou vinte e três horas e cinquenta e cinco minutos das vinte e quatro horas da corrida. O tipo de coisa que faz um homem chorar. É, Le Mans tem dessas coisas...
A corrida deste ano será muito especial. Estamos vivendo uma era de ouro na categoria. Uma mudança de regulamento tornou a classe Hypercar extremamente atraente para os fabricantes, o que deixou o grid deste ano estonteantemente variado. Nunca um brasileiro venceu na classe principal. Neste ano teremos Felipe Nasr no Porsche nº 4, e Felipe Drugovic no Cadillac nº 311. Nasr venceu três das cinco provas que disputou esse ano, e Drugovic corre por uma forte Cadillac, que se mostraram os carros mais rápidos na classificação. A disputa será dura, e como eu já expliquei, não faltam concorrentes. Mas ambos têm chances reais de vitória. Vale a pena torcer!
A largada acontece neste sábado, 14 de junho, e será transmitida pela Bandsports, Bandplay, e pelo canal do Grande Prêmio no YouTube. Bora assistir?