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[Análise de jogo] Care Bears: To The Rescue

Tivesse conhecido esse jogo alguns anos atrás, eu provavelmente nem chegaria perto. Eu nasci por volta da metade dos anos 1980, o que significa que eu só passei a ter gostos e a desenvolver interesses pessoais entre o finalzinho daquela década, e o comecinho dos anos 1990. Foi justamente nessa época que Ursinhos Carinhosos chegou no Brasil, pelo SBT, e se tornou minha “primeira série favorita”, digamos assim; a primeira grande franquia comercial pela qual desenvolvi interesse. Tive até festinha de aniversário temática quando pequenininho, e as fotos ficaram ótimas!

Eu sou o filho mais novo de dois, e enquanto eu sempre fui mais... erm... sensível, meu irmão mais velho sempre foi mais moleque. Acontece que Ursinhos Carinhosos é uma série com ursinhos fofinhos, cheia de arco-íris e bichinhos com nariz e tatuagens no bumbum em formato de coração, que falavam de amor e amizade, o que significou que eu só pude demonstrar qualquer apreço por esta franquia num período bem curto da minha vida. Tive de “evoluir” rápido meus interesses pra Jaspion, Jiraya, Jiban, depois Cavaleiros do Zodíaco, Tartarugas Ninja, entre outras coisas mais “pa-pow!” de “menino mais crescidinho”, pois o bullying veio forte desde a base! E assim, Ursinhos Carinhosos se tornou algo de um passado distante, para o qual eu jamais imaginei que um dia retornaria. Mas eis que certo dia, zanzando pela área de atividades dos amigos no Steam, vi que um colega havia comprado o game Care Bears: To The Rescue. E como é de costume meu, cliquei pra ver do que se tratava. Eu sei que há um desenho novo dos Ursinhos Carinhosos, mas não fazia ideia de que também havia um jogo! E, pra minha grata surpresa, estava em promoção, saindo por volta de uns 5 reaizinhos! O jogo tinha poucas avaliações, mas em geral, pareceram ser bem positivas. E sendo eu uma criança dos anos 80 e 90, jogos de plataforma são parte da minha essência. Pesou também na escolha o fato de que é um jogo que permite jogatina cooperativa local, então comprei pra jogar com minha sobrinha. Abri o game só pra ver como era e, dias depois, cheguei ao final do jogo sozinho mesmo.

Care Bears: To the Rescue pode parecer um jogo voltado ao público infantil, e talvez o seja, o que não significa que se trate de um jogo desprovido de desafio. A progressão na dificuldade é interessante e bem implementada. Uma criança jogando sozinha vai sofrer um pouco. Mas por permitir jogatina cooperativa, Care Bears: To The Rescue é um jogo perfeito para um adulto jogar com seus pimpolhos, já que permite até quatro jogadores simultâneos. Não se trata de um jogo perfeito, mas por sorte, seus probleminhas são negligenciáveis, e não chegam a estragar a experiência. Tampouco se trata de um jogo revolucionário ou que eleva o padrão da indústria, o que não significa se tratar de um jogo ruim. Pelo contrário! Care Bears: To The Rescue é como um pãozinho com ovo ou pizza fria no café da manhã; como um prato de arroz com feijão bem temperadinho no almoço; rosquinha molhada no café com leite no fim de tarde enquanto você assiste algo bobo na TV. É um jogo-conforto bem polido, e vejo valor nisso!

Em Care Bears: To The Rescue, o jogador pode escolher um dentre uma seleção de ursinhos, e cada um oferece uma vantagem diferente. Um corre mais rápido, outro tem o poderzinho da barriga mais potente, outro dá dicas de colecionáveis escondidos pela fase, etc. Falando em colecionáveis, há cerca 100 deles escondidos pelas 35 fases do jogo. Tratam-se de stickers de personagens, itens, lugares e veículos da série, que podem ser acessados por uma tela de menu para que o jogador possa conhecer mais detalhes sobre os mesmos, e conhecer melhor este universo. Não são difíceis de se encontrar (especialmente se você jogar com o Grumpy Bear, que além de ser o meu favorito por conta de sua carinha emburrada, tem a vantagem de apontar para a localização dos stickers assim que você se aproxima deles), e podem servir de incentivo para expandir o tempo de jogatina. E falando em tempo, zerei o jogo com todos os colecionáveis em cerca de cinco horas. Não é um jogo super-curtinho, mas também não abusa do tempo do jogador. Quanto às conquistas, não é algo pelo qual eu particularmente me importo, mas sei que muita gente se interessa por isso, e digo que só me faltaram duas, que são justamente a de jogar em co-op, e a de reviver um amigo em uma partida em co-op, pois joguei o jogo sozinho.

Durante sua jornada, o jogador se deparará com trechos de fases onde só é possível avançar com a ajuda de outros ursinhos, que abrirão passagens, pontes ou plataformas. Isso é algo central neste universo, onde cada personagem possui características únicas, que se somam pelo bem coletivo. E num mundo violento que estimula cada vez mais a atomização do indivíduo, acho louvável que haja uma franquia como a dos Ursinhos Carinhosos, que ensine a não apenas a respeitar as diferenças, mas também acolhê-las e somá-las, para desmontar os encostos da ganância e do cinismo, e espalhar o amor e o afeto em prol de um mundo mais colorido, coletivo e diverso; pra fazer a gente se importar mais uns com os outros!

Me sinto grato por, a esta altura da vida, ter podido me despir da vergonha que veste todo jovem burro, e não me privar de jogar um “jogo de criancinha” que supostamente faria algumas pessoas rirem de mim. A única coisa a se lamentar em relação ao mesmo, é a falta de uma localização para o português brasileiro. Mas quase quarenta anos depois de ter conhecido estes adoráveis ursinhos, foi um grande prazer poder revisitá-los por meio de Care Bears: To The Rescue!